Melhores poemas Siomar II (tradução 73 idiomas)

IMAGEM DE MULHER BONITA



Tua
imagem de mulher bonita penetrou
na
retina dos olhos meus, invadindo
e
estraçalhando o coração do poeta...

Teu
corpo magnífico, esculpido em carne
branca,
provocando o despertar do sexo,
motivando
a reação do sangue, que corre loucamente
pelas
veias... eu querendo-a, desejando-a,
para
o amor do espírito ou do corpo,
com
todas as honras que o prazer merece.

Noite
estrelada... céu azul atlântico ... lua cheia...
ouve-se
a sinfonia dos astros... sozinho no leito,
cabeça
febril, imaginando-te divinamente nua
com
teus quadris redondos, estupendamente
arrebitados,
na arquitetura de teu vulto escultural;
teus
seios duros desafiando minha boca a beijá-los
suavemente
e eu sussurrando a teus ouvidos: eu te amo boneca
de
sonho, boneca de carne.

Sinto-me
na penumbra de tua suíte e tu, sedutora
de
calcinha preta, abraçada a meu corpo quente...
música
suave na eletrola, tua cabeça debruçada
no
meu peito; eu, acariciando teus quadris
cheios
de tesão; tu querendo ser possuída
e
eu querendo possuir-te, teus lábios beijando-me,
teus
olhos em êxtase, mirando meus olhos e eu a dizer-te:
tu
és divina e única, tu és meu amor...

Tu,
louca, desvairada, colocando meu sexo
dentro
de teu sexo, minha carne dentro de tua carne,
permitindo
o gozo infinito de dois seres que se querem,
se
amam, se completam.

Boa
noite, donzela, fêmea de minh’alma:
durma
tranqüila, feliz a meu lado e quando o sol
invadir
teu quarto na manhã  de primavera,
quero
tua boca beijando minha boca, teus seios
roçando
meu peito, e tu querendo dizer-me: sou tua,
somente
tua, para sempre... para todo o sempre...

INTERMINÁVEL BEIJO DE AMOR


Quis
beijar-te a boca, num beijo do tamanho de um século
e
sentir que tu és a própria felicidade que o mundo
ou
a natureza encerra na magia misteriosa do existir...

Quis
beijar-te a boca, num beijo interminável como o próprio
universo,
bordado com bilhões de estrelas brancas e ornamentado
com
a ternura eterna da poesia natural de Deus.

Quis
beijar-te a boca, na meiguice do beijo inesquecível
e
entregar-te um buquê de rosas vermelhas, como prova
do
amor supremo que sinto pela tua alma rosada de mulher
ideal.

Quis
beijar-te a boca e levar meus lábios a tocar teus lábios,
e
deixar que eles  se comunguem no mistério da carne
e
do espírito, na doce e pura atração das almas gêmeas
entrelaçadas.

Quis
beijar-te a boca, num beijo milenar e dizer-te
que,
entre milhões de mulheres no mundo inteiro, tu és divina
e
única e sobretudo inspiradora de um santo poema de amor.

Quis
ofertar-te estes versos, roubados da harmonia de um beijo
infinito
e dizer-te: suprema é a mulher que consegue estremecer
o
coração do poeta e fazê-lo produzir, em delírios e êxtase,
um
poema de amor num planeta tão conturbado pelo imediatismo
do
prazer e da ilusão passageira, que os bens materiais provocam
em
todos aqueles, que são cegos de espírito e mortos de coração...

MINHA FAMÍLIA



Minha família, meus irmãos são planetas,
nebulosas, galáxias, que bordam estreladas noites
do Brasil no esplendor, na magnitude
do incomensurável, na amplidão do sideral espaço,
nas profundezas do infinito.

Minha família,
meus irmãos são toda a humanidade, que habita
nosso planeta azul formado com milhões de cachoeiras,
dando toque de ternura nos caminhos duros desta
sideral caminhada, sofrida, que tortura,
fere, mata.

Minha família,
meus irmãos, são miseráveis, que habitam favelas
imundas na periferia das cidades.

Minha família,
meus irmãos são mendigos, excluídos, abandonados,
velhinhos em esquecidos abrigos, crianças
dos orfanatos, deserdados, abandonados por pais
também abandonados na competição do capital egoísta.

Minha família,
meus irmãos são pássaros na orquestra das sinfonias,
dando toque mágico no espetáculo da criação,
da existência nas trilhas do imponderável .

Minha família,
são os excluídos, não amados, estropiados,
proletários do magro salário da fome,
da escravidão.

Minha família,
meus irmãos são prisioneiros de penitenciárias,
imundas, criminosos, filhos da criminosa sociedade,
estuprados no humano egoísmo.

Minha família,
meus irmãos, são frutos da contradição
do existir, são todos aqueles que sofrem
nos hospitais, presídios, catástrofes;
são todos aqueles que, sofrendo, fizeram-me
padecer na cumplicidade do viver no palco
do universo tão infinito na pequenez
de insignificantes almas, pobres demais.

Minha família,
meu pai, minha mãe, meu irmão são astros
solitário do céu azul, são nebulosas,
galáxias, que dão ternura na imensidão do universo.

MORTE E VIDA


Quando
eu morrer, não chorem por mim todos
aqueles
que não souberam amar-me em vida...

Quando
eu morrer, permita Deus que meu corpo seja
exposto          
em céu aberto, no gozo do perfume dos verdes
campos
deste Brasil, que amo acima de todos altares.

Quando
eu morrer, não chorem por mim todos aqueles,
que
em vida não souberam beber na fonte pura
de
meus versos o consolo para seus males.

Quando
eu morrer, permita Deus que as células
de
minha carne possam se desintegrar em átomos
e
que os átomos se desintegrem em ondas de energia
e
luz.

Quando
eu morrer, permita Deus que os pássaros no canto
fúnebre
de sua sinfônica melodia, venham até meu leito
derradeiro
despedirem se do poeta no mais lindo concerto
orquestral,
de seu canto belo e puro.

Quando
eu morrer, permita Deus que os lábios vermelhos
da
mulher amada venham outra vez trazer o calor
da
despedida e que ela possa, num gesto de amor supremo,
beijar-me
com seus lábios ainda quentes.

Quando
eu morrer, permita Deus que meu espírito se embriague
na
doce melodia fúnebre de Chopin ou no gorjeio
triste
da passarada..

Quando
eu morrer, permita Deus que eu seja para os que ficam
no
mundo dos vivos o mesmo homem e que não arranjem
falsas
virtudes, para o pecador que fui outrora na vida...

Quando
eu morrer, permita Deus que um cortejo de arapongas
entoe
ao derredor de meu túmulo solitário a dor de seu canto...

MULHER DE SEXO



Tu
és bela, tu és mulher, tu és sexo, tu és vida,
tu
és a virgem, que amo e adoro acima de tudo...

Teu
jeito de andar cheio de sexo tortura-me o ser,
embriagando-me
o corpo num doce delírio de desejo, prazer, volúpia.

Teu
corpo escultural de donzela sensual, faz meu espírito
gozar
de prazer ao contemplar-te assim divina e pura..

Tu
és mulher de leite, de prazer, de sexo
e
os olhos meus de poeta te despem divinamente
nua,
e, louco, beijo teus seios, tua boca, tuas pernas,
enfim
toda a tua beleza... e tu aproximando-se de mim veio beijar
minha
boca colada à tua boca, sussurrando num delírio febril:
eu
te amo, tu és e serás o único homem de minha vida,
a
razão de meu existir, a força que rege meu viver...
Eu
te amo, mulher de sexo, tu me amas no supremo amor do espírito
na
melodia sensual, que rege dois corpos entregues ao amor...

MULHER GUERREIRA



Mulher
guerreira, moderna, mulher de luta,
proletária
ou burguesa, mãe ou não... simplesmente
mulher...

Mulher
guerreira, persistente, invencível,
na
conquista de direitos nas caminhadas
de
séculos e séculos de história.

Mulher
guerreira, mulher de sexo, mulher de leite,
mulher
de concreto, de convicção, mulher companheira,
amiga,
não inimiga do homem, solidária, não adversária.

Mulher
guerreira, pobre ou rica, doutora ou analfabeta,
operária
ou burguesa, da favela ou do palácio,
lutadora
ou omissa, bonita ou feia, simplesmente mulher.

Mulher
guerreira, sedutora, feminina, lutadora,
no
campo, na cidade, mulher menina ou anciã...
mulher
espoliada, sofrida, machucada nas duras caminhadas,
caindo
e levantando, sorrindo ou chorando neste mundão
louco,
brigando ou sendo companheira do homem,
na
alegria ou no infortúnio, na fartura ou na pobreza,
na
juventude ou na velhice, na saúde ou na doença.

Mulher
guerreira, firme, vontade inquebrantável,
desbravando
caminhos, conquistando espaços, direitos,
deveres.

Mulher
guerreira, amada ou querida,
mulher
democrática, humana, da fábrica ou da cozinha,
mãe
solidária, companheira no delírio ou na desgraça.

Mulher
guerreira, moderna, mulher de luta,
proletária
ou burguesa, mãe ou não...
simplesmente mulher.

Ó
mulher feliz, que sabe na velhice, na dor,
nos
braços da família, dos filhos, netos,
superar
a morte, mirando estrelas do céu azul
atlântico...

O FILHO PRÓDIGO VOLTANDO PARA DEUS


em mim, Senhor, um coração  que não pensa,
uma
alma que sente e murmura com vibrações da natureza,
nas
mil contradições, que a terra mãe encerra...

em mim, Senhor, a bondade do santo e maldade do demônio...
existe,
no meu  peito febril, a humildade do cordeiro e a energia
do
leão, na luta de sobrevivência dos átomos e moléculas
de
mim mesmo.

em mim, Jesus, a pureza da criança e perversidade
do
homem bicho, antropóide na evolução secular do tempo
e
do espaço ilimitado.

em mim, Cristo, o ideal supremo de criar, multiplicando
o
bem e desejo incontido de destruir!... Há em mil, Senhor,
o
amor e o ódio... a limpidez e a impureza... Há em mim, Redentor,
o
incomum afeto pela donzela e ao mesmo tempo o desdém
pela
fragilidade de sua conduta... Ah! Onipotente, como a moral,
é
tão frágil nas mulheres!... Por que elas são tudo e o nada?...
Por que
são deusas da virgindade e do carinho?... e por que vive nelas
a
hipocrisia? como tudo é hipócrita neste mundo adverso.

Seguindo,
ó criador, nas estradas poeirentas deste planeta primitivo,
caminhando
sempre perante os empecilhos, que encontramos alheio a nossa
vontade
fraca de não mais querer viver... Andando sempre na chuva,
que
molha tranqüilamente os cabelos revoltos na luta do globo,
viajando
pelos desertos da atividade, mirando astros mansos no céu azul
em
noite dourada... percorrendo a solidão da cidade onde o homem
animal
acuado como fera entre feras, pelejando, para continuar a viver
e
vivendo, para mais tarde, morrer, como tudo deixa de existir
na
comédia da existência.

em mim onipotente admiração por tudo aquilo,
que
criaste e há em mim também o desprezo por tudo aquilo,
que
vejo contaminando a substância e beleza de todas as coisas.

em mim admiração pelos santos, que constroem a paz
e
indiferença pelos crápulas, que corrompem a razão
e
os ensinamentos de Cristo, que faleceu, para exemplificar
à
comunidade a forma correta de se conduzir e de seguir,
para
o eterno sideral...

em mim, Jesus, contemplação pelas leis, que regem o concerto
musical
dos astros... há em mim, pobre ser cansado nas querelas
do
existir, o entusiasmo por tudo aquilo, que brota
e
envelhece e a suprema desgraça de sentir, que tudo se extingue
após
nascer dando lugar a contínua transformação de tudo
e
do nada... por que nascer?... por que vegetar e morrer,
para
 transformar?... caminhando pelas montanhas e pelas serras
verdes
dos picos altos, querendo ser Deus, para alcançar a grandeza
de
todas as coisas, que não compreendo no meu cérebro incompreendido.



em mim, Senhor, fantástica vontade de não mais querer viver...
é
o coração a gritar dentro do corpo... é o anseio de voltar,
para
a casa paterna... é o ser, que revolta na carne, desejando
as
estrelas... o infinito... é o filho, que sofreu nas jornadas
do
ignoto, que aprendeu amar a Cristo e que retorna ao lar
despido
do orgulho, que entorpecia o íntimo, que vegetando pelos
caminhos
afora perdeu nas ruas, nas sarjetas a vaidade... É o novo
homem
diplomado pela Universidade da vida... ó Senhor, perdoa-me
por
ter pecado contra leis de Moisés, nos milênios das encarnações
do
orbe, onde meu próprio ser tentou cumprir missões, que o destino
confiou.

Caminhando
pelo universo, sigo humilde com o espírito cabisbaixo
de
vergonha, de ser minúsculo diante da grandeza de tudo,
que
foi criado e da pequeninês de minh’alma errante.

O POBRE



Mísero germem, que no útero fecunda,
que vive, nasce, cresce, sofre e vagabunda,
pelos meandros de amarguras desta vida,
em dores e aflições pela terra desflorida.


Que tristeza! Que agonia! Que alma moribunda,
da plebe errante, que vaga pela vida; inunda
de agonias, dores, cansaços, de angústia vertida
em prantos pelos tristes caminhos desta vida.


Míseros germens, que vagam pelo universo,
esfarrapados, famintos, em penúrias e sofrimentos,
vagando, quais gênios titãs neste mundo adverso...


Pelo berço do mundo, pelo berço da França,
vagam os pobres em lamúrios, angústias e lamentos,
vivendo pelos rústicos caminhos de esperança...

O RETORNO DE DEUS À TERRA



Deus!...Senhor!...
de
todos universos, desça de teu pedestal,
senta-te
neste banco de rústica madeira, vamos conversar,
Senhor,
sobre o porquê da vida, que se multiplica em tudo
na
harmonia, na desarmonia, contraste da própria
natureza...

Deus!...Senhor!...
muito tempo que desejo bater um papo com teu vulto;
sei
que não negarás, porque tu és humilde, compreenderás
a
suprema vontade, que tenho em decifrar a incógnita
dos
porquês!...


Deus!...
vamos entrar, entre a casa é tua, é tosca
é
bem verdade, senta-te no pequeno banco,
que
já mandarei servir café à brasileira.

Deus!... Senhor!...
perdoa-me inquiri-lo frente a frente, de homem
para
homem, sobre o porquê da razão, da lógica,
do
gorjeio dos pássaros em tarde fria de setembro.

Por que,
Senhor, guerra sangrenta?... Por que morte?...
O
sofrimento, as estrelas, o sol, a chuva, a miséria?
por que
pequena formiga na luta do labor diário.

Deus!...
Senhor de todos mistérios, venha dialogar
com
teu filho poeta, dize-me de forma simples mas objetiva
o
porquê de tudo que criaste, sobretudo o porquê
da
existência conturbada neste planeta louco, onde a humanidade
neurótica
vive aturdida pela poluição de tudo que é ruim.

Deus!... Senhor!...
entra a casa é tua, senta-te na cadeira de mil anos,
perdoa
a sujeira, o teto mal coberto, vazando água por todos
os
lados... vamos entrando, Senhor Deus, mas perdoa a singeleza
de
tudo que tenho, o fogão, pobre coitado movido a lenha,
que
acabou ontem, perdoa, Senhor, a televisão que não tenho,
o
rádio que não existe e que a loja levou por falta de pagamento.

Deus!... Senhor!...
entra
a casa é tua, vamos assentar, que mandarei
preparar
o cafezinho que sustenta, quando falta o pão
de
cada dia... senta-te Senhor, eu te suplico, o lar
é
pobre, não tem TV, não tem geladeira, não tem nada,
mas
fica conosco, Senhor, porque vivemos neste mísero
barraco
sem portas,  sem ar condicionado... só temos, Senhor,
amor,
muito amor, para te dar neste orbe aflito... Senhor
entra
e fica morando conosco eternamente...

ONDE ANDARÁS



Onde
andarás, graciosa loura de olhos azul atlântico?...

Onde
andarás, loura formosa, com teu corpo sexy, teu quadril
esculpido
no cálculo matemático...

Onde
andarás mulher de sexo, mulher de amor, onde andarás
fêmea
completa de tesão, na natural frescura comum a todas
as
virgens belas.

Onde
andarás, loura fatal, com teus quadris redondos,
bem
esculpidos na tua calça azul da cor de teus olhos
mansos?...
onde andarás, meu amor passageiro, como tudo,
que
é belo, breve, inconstante.

Saibas,
loura de olhos azul atlântico, que onde tu andares
com
teu andar sexy lá estará minh’alma
de
poeta, venerando tua beleza milenar.

ORAÇÃO ÀS ÁGUAS QUENTES DE CALDAS NOVAS



Obrigado, Senhor,
pelas águas quentes de Caldas Novas,
que aquecem todos os seres em prazer
e êxtase.

Obrigado, Senhor,
pelas águas quentes de Caldas Novas,
que penetram na carne do corpo,
trôpego que, hoje, procura cura,
para o stress, que fere e mata.

Obrigado, Senhor,
pelas águas quentes de Caldas Novas,
que infiltram no corpo, gerando
orgasmo de prazer e êxtase,
sentidos no verde sertão de Goiás.

Obrigado, Senhor,
pelas águas quentes de Caldas Novas,
oriundas da terra goiana, grávida
de energia curadora.

Obrigado, Senhor,
pelas águas quentes de Caldas Novas,
que agitam o coração, vitalizam
a existência como hino de glória
na criação infinita de Deus...

ORAÇÃO ÀS ESTRELAS


Cem
trilhões de estrelas estão no concerto musical
do
universo, no dinâmico movimento de corpos luminosos,
repletos
de bilhões de vidas orgânicas e inorgânicas,
na
transformação magistral da misteriosa razão
do
existir, no mundo tão complexo
que
só entendemos na radiação psíquica do pensamento,
interligado
a Deus na sua grandeza milenar...

Cem
trilhões de estrelas estão no concerto musical
em
bilhões de sistemas solares, galáxias,
no
ballet musical na perfeição cósmica,
que,
no movimento sideral repleto de luz, paz e guerra,
geram
existência, morte, transformação complementando
a
beleza misteriosa da existência.

No
céu azul das madrugadas deste Brasil,
observando
o Cruzeiro do Sul, absorvido pela luminosidade
das
estrelas em noite enluarada, sob o êxtase da sinfonia
universal,
que ronda infinitos espaços, extasiado
pela
harmonia da gravidade, procuro Deus
na
velocidade das ondas siderais... minh’alma de poeta,
corre
pelos fins do universo, penetro nas entranhas
do
anti-universo, também com trilhões de estrelas.

Sonho...
penetro noutros universos existentes
aos
trilhões no espaço exterior e, quanto
mais
viajo pelo desconhecido no relativo tempo,
sinto
que todos elementos componentes na poeira
dos
astros, existem no DNA de meu corpo putrefato,
que
é micro de tudo aquilo, na composição dos astros...

ORAÇÃO DO SOLDADO FERIDO




Senhor                        Mil
bombas explodem na terra ferindo meu corpo,
torturando
meu cérebro, que já não pensa e não distingue
o
que é certo e o que é errado...


Senhor                        Granadas
iluminam a noite sem estrelas, destruindo a matéria,
que
envolve meu espírito martirizado.


Senhor                        Ó
divino mestre incompreendido, que morreu na cruz
de
madeira, para nos salvar... tende piedade Senhor
deste
pobre soldado retalhado na carne por inimigos,
que
nem conheço, que nunca vi e que não sei por que
estão
expostos contra mim no campo da mesma batalha.


Senhor                        Duas
lágrimas escorrem pelo meu rosto misturado
com
areia, lodo, sangue herdado de minha mãe,
pobre
coitada, que padece pelo sofrimento do filho perdido
a
tantas milhas de distância.


Senhor                                 Por que

minha figura franzina, golpeada pela baioneta
do
herói desconhecido, que tornou-se adversário
pelo
imperativo de que força Senhor?...
que
não consigo compreender.

Senhor                                 Por que

a guerra?... a desunião da humanidade?... a miséria?...
a
destruição?... a fome?... por que a bomba sem cor
e
não o amor?... Por que a hostilidade e não o beijo
febril
dos namorados a sombra fresca das laranjeiras?...
Por que
a carnificina e não a sinfonia melódica do gorjear
dos
pássaros?... Por que o fogo queimando tudo e não o canto
harmônico
do bem-te-vi nas tardes musicais de setembro?...
Por que
a morte?... se o homem poderia ao invés dela plantar
a
vida e a beleza se multiplicando pelos vales em longas
campinas
e nos verdes bosques?...
Por que
a aflição?... se o homem poderia se extasiar ao som
dos
córregos de mil cachoeiras de arco-íris.

Senhor                                 Perdão,

Senhor, pelos irmãos guerreiros, que matei e que não sei
por que
morreram pelas minhas mãos sangrentas mas inocentes,
Senhor?...
Ó
Jesus, sei, que a energia, que sustenta meu vulto já não mais
suporta
o peso da vida e que a morte se aproxima de mim como fantasma
em
noite escura!... Senhor, não permita que a guerra
esta
peste negra, assassina vá levar a penúria a qualquer um
de
meus semelhantes em Deus criador do mundo.

Senhor                        Encomendo
na morte meu espírito ao pai, que está no céu e espero,
a
nova oportunidade de minh’alma aflita voltar na reencarnação,
para
pagar débitos adquiridos no combate, que destruiu a chama
do
amor e da caridade dentro do coração desfigurado...


ORAÇÃO ESPONTÂNEA

 



Senhor           Após

                                   o sofrimento do espírito nas árduas caminhadas
                                   das
                                   longes terras, onde paguei últimas promissórias
                                   de
                                   meu débito perante a natureza, venho, humilde,
                                   cabisbaixo,
                                   entregar-te ó Senhor a essência de minha razão,
                                   matéria
                                   pura, desintegrada em energia cósmica, corpo,
                                   perispiritual
                                   do pai, que reina no teatro do infinito...

Senhor                       Caminhando

na sombra fresca das mangueiras, das laranjeiras
em
flor, com a alma torturada na vã filosofia,
tento
compreender o sentido da vida no palco sangrento
desta
terra, onde a pior guerra é aquela, que se trava
na
consciência do bicho homem.

Senhor                     Por

campinas, serras verdes, picos altos e córregos
de
mil cachoeiras sigo, tentando decifrar a incógnita
da
trindade divina, o porquê da energia do átomo,
do
espaço, do tempo, de Deus, o porquê da existência,
onde
nada se perde, tudo se transforma segundo o irmão
Lavoisier!...

Senhor                     Caminhando

pelas campinas, serras verdes, picos altos
e
córregos de mil cachoeiras na vã filosofia,
chego
à límpida compreensão de meu espírito após pagar
débitos
com juros, correção monetária, que tinha para
com
este mísero planeta.

Senhor                     Meu

ser já terminou o curso primeiro no jardim da infância
e,
hoje já cansado, mendigo do amor celeste, venho
trazer  
meu espírito, apto para o vestibular à esfera
superior
onde a base e estrutura de tudo é o afeto, a doçura,
encanto, a poesia, que solta passeia, qual gaivota,
surfando
mares verdes nas águas azuis de mil oceanos.

Senhor            Desejo
que meu espírito arrebente os grilhões, que o prendem
à
carne, retornando à mansão do pai, perdida na eternidade
das
estrelas brancas, que bordam o azul atlântico do céu
brasileiro...

ORIGEM DO ESPÍRITO



Do cosmo, Deus contempla a virgem terra,
do corpo teu se expandindo éter cristalino,
que o espaço tempo povoa em magistral hino,
sinfônico do belo, que o universo encerra...

Do imaculado éter de Cristo ao átomo da terra,
associando a molécula ao organismo sovino,
o instinto meu surgiu, infante a espera
da tri-bilionária era evolutiva do bovino.

Fui éter, energia, átomos, moléculas associadas,
orgânica matéria Darwiniana, primitivo organismo,
na razão lógica da transformação condicionada.

Do éter do Redentor à reação do átomo nativo
pelo fator físico/químico sobressaiu o diamante,
da consciência do eu, para ser Cristo doravante.

PERFIL DE UMA VELHA



Virgem, tu que descias a avenida de vestido amarelo,
garbosa, altiva, dentro do corpo escultural e belo,
mil vezes talhado nas formas da divinal beleza
de Da Vinci, na tela primoral da eterna natureza...


Virgem, tu que, esbelta, andavas de vestido amarelo,
e que eras convencida, ignoravas o mundo anelo,
dentro de teu orgulho, dentro de tua aspereza
e tinhas perfeição no corpo teu, supremo na natureza...


Passou-se o tempo, hoje tu és velha, feia, ingrata,
rabugenta, chorona, magrela, infeliz, alcoviteira
e tua feiúra é o troco da antiga tela, que te foi grata...


E ao caminhares pela avenida, já velha e faladeira,
nesta mesma avenida, palco dos sucessos de outrora,
tu compreenderás, que o orgulho morre no cemitério frio...

POEMA À MINHA MORTE

Quando
eu morrer, permita Deus que a terra esteja na primavera
em
flor e que meu túmulo seja ornamentado de rosas vermelhas,
de
lírios e flores silvestres...

Quando
eu morrer, permita Deus, que meus versos, música de meu ser
incompreendido,
continuem a levar aos coração das virgens, o consolo
e
a compreensão.

Quando
eu morrer, desejo que o mundo seja mais humano
e
que as crianças rosadas continuem a brincar no picadeiro
da
vida, comédia do universo.

Quando
eu morrer, permita Deus que o planeta seja mais justo,
e
não permita que haja com outros homens a injustiça
que
fui testemunha em vida.

Quando
eu morrer e minha carne apodrecida for devorada
pelos
meus irmãos os micróbios, permita Deus que ela seja
nutritiva
e tenha bom paladar, que dê bons frutos e seja
rica
em vitaminas e sais minerais e não contenha o germe,
que
gera a podridão da carne em corpo vivo.

Quando
eu morrer, permita Deus que meu espírito se transforme
em
meteoro brilhante e vá navegar, qual turista,
por
outros planetas super-habitados à procura da santa mulher,
que
um dia amei na Grécia antiga e hoje reside na mansão
de

Albert Einsten...

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